quarta-feira, 2 de janeiro de 2013


Fisher Body Craftsman’s Guild

A fabricante americana de carrocerias automotivas Fisher tem raízes no século 19, inicialmente construindo carroças e depois carrocerias ferroviárias. Tornou-se uma das mais importantes empresas de estampagem de Detroit em 1916 e em 1919 passou ao controle acionário da GM tornando-se seu fornecedor exclusivo. O nome Fisher foi usado pela GM até os anos 90 para distinguir seus produtos de luxo. Entre 1930 e 1960 os jovens americanos com idade entre 12 e 19 anos eram estimulados a participar de um concurso de construção de modelos promovido pela Fisher. Inicialmente a proposta era construir uma réplica em escala de uma carruagem que era o logotipo da própria empresa mas ao longo dos anos as regras exigiam que os participantes criassem seus conceitos de carros do futuro em uma escala de 1/12. O concurso tornou-se muito importante e o vencedor ganhava patrocínio para seus estudos, um premio em dinheiro e uma viagem ao centro de estilo da GM em Detroit. Muitos designers entraram na General Motors através deste caminho, inclusive Charles Jordan, um dos mais famosos chefes do departamento de design que esteve no comando durante sete anos.  











Enfim o monitoramento eletrônico de veículos chega às ruas.

O SINIAV (Sistema Nacional de Identificação Automática de Veículos) iniciado pelo Denatran em 2006 prevendo o uso de um chip emissor de sinais começa a equipar os carros que saem da fábrica esse ano. Além dos veículos novos todos os outros já em circulação deverão ser adaptados à nova exigência até junho de 2015 segundo última informação do Contran. O sistema com a mesma lógica do telefone celular é bastante abrangente e além do chip é composto por antenas localizadas nas vias públicas, interligadas à central de transito. Através dele será possível medir a velocidade média de cada veículo e emitir as multas automaticamente no caso de excesso. Os veículos roubados cuja queixa de roubo foi registrada irão gerar um alerta eletrônico que possibilitará a localização dos mesmos pela central. O chip informará também todas as informações sobre licenciamento e débitos,  permitindo que durante uma blitz, por exemplo, sejam parados somente os veículos irregulares. 



segunda-feira, 17 de dezembro de 2012


Porsche 911 – Mercado em alta
Quando se fala em Porsche 911 é preciso lembrar que Los Angeles possui um grande número de oficinas de restauração que colocam constantemente no mercado o modelo mais conhecido da marca alemã. Entre as várias oficinas que visitamos esse ano, a presença do 911 foi constante. O destaque fica para Magnus Walker que à primeira vista parece mais um motociclista das gangues americanas mas que é um aficionado do carro, possui dezenas e continua adquirindo mais. Dê uma olhada no vídeo... E nas fotos...


https://vimeo.com/44410797









quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

A Baleia Azul da Rota 66

A Baleia Azul nasceu como presente de aniversário para a esposa que colecionava miniaturas de baleias e logo se tornou conhecida, afinal de contas, como deixar de ver uma baleia em pleno interior de Oklahoma na beira da estrada? Originalmente os donos moravam na casa próxima e usavam a baleia como casa de piscina, aproveitando o lago anexo. Dali era possível mergulhar e escorregar até a água. A baleia tem um segundo pavimento e podia ser usada como dormitório para os meninos durante as férias. Com o tempo foi transformada em parque aquático e se tornou uma das mais importantes atrações da Rota 66 quando a rota estava ativa. No final dos anos 80, somou-se à grande parte de negócios falidos na antológica rodovia que morreu devido a abertura no caso da I-44 e de estradas mais rápidas e seguras, levando para longe o tráfego e os consumidores, muito bem apresentado na animação "Carros". Hoje a baleia é mantida pela prefeitura da cidade de Catoosa e continua atraindo quem passa por ali, a maioria explorando a Rota 66. Um ótimo programa para fazer de motocicleta própria para a estrada que pode ser alugada em várias capitais americanas.



CARS & COFFEE
Los Angeles é a meca do automóvel e não faltam eventos de ótima qualidade para o deleite de quem gosta de carros. Para se ter uma idéia, estamos agora no dia 12 de dezembro e até o dia 30 estão programados 47 eventos até o fim do mês envolvendo carros e motos, antigos, modernos, esportivos e comerciais, sempre com direito a presença de algum personagem do cenário automobilístico. Estivemos algumas vezes em um encontro muito especial, o Cars & Coffee que acontece no estacionamento do escritório da Mazda em Irvine, ao sul de Los Angeles. O público tem estacionamento gratuito bem perto dali e o evento é gratuito exceto o café se alguém quiser tomar. Conversamos com John Clinard, o organizador desse evento que completa 6 anos neste ano e se tornou uma referência para os clubes e colecionadores. É ele que prepara a agenda para que todos os participantes tenham um lugar garantido entre as 300 vagas cedidas pela Mazda. A diversão é garantida. Tem praticamente de tudo um pouco entre clássicos, exóticos, carros conceito, hot-rods, motocicletas e carros de corrida. As atividades começam bem cedo. Às 6 horas da manhã os carros começam a se posicionar e como diz o nome a proposta é tomar um café enquanto os proprietários e o público falam de carros. É uma confraternização eclética. São cerca de 300 carros cujos donos se orgulham de mostrar e qualquer pergunta resulta em uma conversa prolongada. Por volta das 8 horas os carros começam a sair e lá se foi mais um Cars & Coffee. 












Bonneville Speed Week 2012
O Grande Lago de Sal localizado no estado de Utah, EUA, apresenta uma superfície plana, revestida por uma camada de sal solidificado denominada Bonneville Salt Flats. A área é tão grande que é possível perceber a curvatura da terra na superfície de sal. Desde o início do século Bonneville se tornou o lugar ideal para levar os automóveis à sua velocidade máxima e aí então quebrar recordes. O primeiro foi conquistado por Teddy Tetzlaff a bordo de um Benz em 1914. Até hoje os competidores do mundo todo se encontram no lago duas vezes por ano para testar a velocidade de seus veículos. O primeiro evento, denominado Speed Week, acontece no mês de agosto e o segundo, o World Finals, no mês de outubro. As categorias são extremamente variadas e o número de participantes é superior a 500.
Participamos da Speed Week deste ano como parte da equipe do canadense Richard Krczal e pudemos ajudá-lo e acompanhar de perto toda a movimentação que resultou na quebra do recorde na categoria SC-PG, abreviação para motocicleta com sidecar (SC), motor com comando de válvulas no bloco (P) e movida à gasolina (G). A motocicleta usada foi uma Triumph 750cc de 1971 com um carburador.
Uma estrada asfaltada segue 4 milhas dentro da superfície de sal e daí para a frente somente com credenciais, sejam de expectadores ou de participantes. Depois disso são mais 5 milhas lago adentro, já sobre o sal, até a área em que as equipes se instalam. Mais de 500 boxes se estendem em duas vias abrigando motocicletas e automóveis de todas as marcas e anos em uma miríade de configurações mecânicas incluindo aí carros exóticos como Ferrari e Mercedes Benz 300 SL asa de gaivota. De motocicletas com motores de 50cc até veículos com aerodinâmica especial (streamliners) com um ou dois motores V8, a diversidade é total.
A confraternização também é completa. Opiniões e ferramentas são compartilhadas entre os competidores e depois de submeterem os veículos à inspeção técnica da South California Timing Association (SCTA) em um local apropriado, os veículos são abastecidos com o combustível oficial e rebocados até uma das três pistas disponíveis, divididas por categoria e localizadas a três milhas de distancia, entrando mais ainda no lago. No inicio destas pistas formam-se filas para que cada um faça a sua tentativa. Após a largada o veículo de apoio é autorizado a resgatar o participante usando uma pista lateral, específica. Três medições são feitas ao longo do trajeto e é considerada a média final. Caso o participante consiga superar o recorde existente para aquela categoria, o veículo é levado para uma área de quarentena, o inbound, onde será novamente examinado e ficará ali até o dia seguinte quando deverá repetir a prova nas primeiras horas do dia. Se mantiver ou superar a velocidade alcançada o recorde é registrado com a média das medições dos dois dias. A organização é absoluta e as provas que começam às 6 da manhã se encerram diariamente às 19 h. Uma hora depois todos os participantes e público tem que sair do lago.
Dirigir sobre a grande superfície de sal é interessante porque a ausência de referências espaciais próximas (as montanhas estão à uma distância de 15 Km) faz com que a sensação de velocidade seja reduzida. Fizemos este trajeto diariamente utilizando um Fiat 500 que desempenhou também o papel de carro de apoio entre o nosso Box e a linha de largada.       








Um Willys Interlagos brasileiro na Califórnia
A última edição da revista Sports Car Market  apresentou uma imagem no mínimo inusitada, um Interlagos brasileiro em um concurso de elegância em Palos Verdes, na Califórnia. Os proprietários, o casal Rexford (com raízes brasileiras) e Patrícia Parker, adquiriram o veículo um ano atrás após o falecimento do ex-proprietário, um colecionador e médico brasileiro residente nos EUA. O carro estava em bom estado mas necessitava de alguns reparos para que pudesse voltar a rodar. Quando estivemos em Los Angeles este ano conhecemos o carro e acompanhamos parte da restauração realizada. Após concluídos os ajustes necessários o proprietário foi dirigindo desde Orange County no sul de Los Angeles até Palos Verdes e dá para imaginar o diminuto carro brasileiro cruzando as movimentadas freeways da Califórnia no meio daqueles carrões. O próprio Rex admitiu “...só um louco andaria nesse tráfego com um carro desses, fiquei apavorado...”.  
O Interlagos é uma cópia do Alpine A108 produzido na França nos fim dos anos 50 por Jean Redele, um revendedor da marca Renault apaixonado por competições. A versão nacional foi produzida entre 1961 e 1966 após um acordo com a Willys do Brasil que já utilizava licenças Renault para o Gordini e Dauphine.
Ao todo foram produzidos aproximadamente 822 unidades do Interlagos, distribuídas em três versões, a Berlineta como o veículo dos Parker, um Conversível e um Coupé. Estima-se que ainda restam cerca de 200 Interlagos no mundo, o que o torna um objeto de desejo no cenário dos veículos clássicos, principalmente em se tratando do primeiro esportivo fabricado no Brasil. Nos Estados Unidos o número de exemplares é desconhecido. Estima-se que no máximo 2 ainda estejam em condições de circular mas ninguém sabe ao certo.